Alvo da Lava Jato, Tiago Cedraz sumiu dos corredores do TCU


Antes assíduo frequentador, o advogado Tiago Cedraz sumiu dos corredores e gabinetes do Tribunal de Contas da União (TCU) assim que o nome dele apareceu, pela primeira vez, como alvo de mandado de busca e apreensão da Lava Jato, em meados de 2015.

Filho do ministro do TCU Aroldo Cedraz, Tiago é sócio de um dos mais bem-sucedidos escritórios de advocacia de Brasília, grupo que atuou, inclusive, em cerca de cem processos no próprio tribunal de fiscalização.

O número, contudo, é pequeno se comparado com os casos sob responsabilidade da banca de advocacia de Tiago e seus sócios no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Supremo Tribunal Federal (STF) e em outros tribunais de Brasília. Ao todo, o escritório diz atuar em mais de 30 mil processos na capital federal.

Quando a Lava Jato chegou pela primeira vez em sua porta, Tiago havia sido citado na delação premiada do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, como beneficiário de valores em troca de informações privilegiadas na corte de contas.

Nesta quarta-feira (23), Tiago foi novamente alvo de buscas da Polícia Federal. No final da manhã, o advogado foi à superintendência da PF, em Brasília, para prestar depoimento.

O lobista Jorge Luz, que está preso em Curitiba, disse em depoimento que Tiago Cedraz intermediou conversas entre a empresa norte-americana Sargeant Marine e a Petrobras em troca de US$ 20 mil em propina.

Segundo importantes quadros do TCU ouvidos pelo Blog, antes das operações da PF, eles conviviam com outro Tiago, bem mais desenvolto na Corte de fiscalização, a ponto de ajudar a escolher os funcionários do gabinete do pai.

Nesta época, eram constante as visitas do advogado ao tribunal, seja no gabinete de Aroldo Cedraz ou no de outros ministros, embora Tiago sempre tenha dito que seu escritório possuía poucos processos na Corte.

Ele sempre negou as suspeitaslevantadas pela Lava Jato. Em nota distribuída por sua assessoria, Tiago “reitera sua tranquilidade quanto aos fatos apurados por jamais ter participado de qualquer conduta ilícita”.

Os problemas do advogado, no entanto, não se resumem às investigações da Lava Jato. Apuração interna no TCU, iniciada a pedido do Ministério Público de Contas, aponta “extrema gravidade e materialidade” nas contas do Serviço Social do Comércio (Sesc-RJ) e da Fecomercio-RJ, com irregularidades em pagamentos milionários.

Segundo o pedido de procuradores, auditoria do conselho fiscal do Sesc apontou gastos de R$ 108,9 milhões com serviços advocatícios, parte deles fora da finalidade da instituição.

O escritório de Cedraz aparece como um dos que teriam recebido valores. No caso deles, R$ 6,1 milhões.

O Sesc é abastecido com recursos arrecadados pela União que, de acordo com a auditoria, transferiu valores para a Fecomércio, usados finalmente para pagar serviços advocatícios. A assessoria de Tiago não respondeu questionamentos sobre esse caso.

Fonte : G1





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